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CEGUEIRA

Os últimos acontecimentos no Brasil mostram a ignorância que paira no país, desde as mais altas autoridades, até as menos elevadas. Desde as mais cultas, até as mais ignorantes. Vamos, à guisa de descrever o que está acontecendo, julgar o procedimento das autoridades. Elas não sabem o que é, não sabem onde começou, quem começou, onde está, como está, e nem para onde vão as consequências, em termos mais longínquos. O primeiro sinal de cegueira é que nenhuma de nossas autoridades previu que tais coisas iriam acontecer. Ao invés de coibir os desmandos, justificam, mas justificam o quê? Justificam o que as pessoas estão fazendo, pois como são culpadas, não têm outra coisa a fazer senão dar razão a elas, mas assumirem sua culpa, isso não assumem.

BRASILEIROS EM REVOLTA

O país vive a expectativa do que ainda virá, depois de três semanas de mobilização de milhares e milhares de jovens pelas ruas das cidades, e dos adultos que os acompanharam nos protestos e reivindicações. Brasileiros estão em revolta, desencadeada pelos anunciados aumentos de preço nas passagens de ônibus urbanos. Mas, na esteira do sentimento revoltoso, outras exigências se fazem presentes: mais verbas e ações positivas para saúde, segurança e educação e menos cobrança de impostos e desvios do dinheiro público, via corrupção. O povo não aguenta mais a desfaçatez e desmandos de políticos e administradores públicos, que assim fazem sofrer aqueles que lhes garantem voz e votos e posições de governo pelo processo eleitoral. A voz do povo nas ruas é: BASTA! Queremos um NOVO BRASIL!

GRITOS EM TODO O BRASIL!

Começa na cabeça de uma pessoa, compartilha com um grupo de amigos, convoca sua cidade pelas redes sociais, outras cidades ficam sabendo e compram a ideia, outros estados ficam cientes e compram a briga por sentirem as mesmas dores. Os jornais impresso, de telejornalismo, e rádio e internet noticiam, e a nação inteira adere o ato. A reivindicação inicial é solucionada, mas o povo tem uma lista enorme de outros motivos para protestar: saúde, educação, moradia, salário, respeito, políticas públicas. Como um rastro de pólvora, tudo o que estava engasgado se explode com pés, mãos, cabeça, vozes na rua. São cartazes, camisas brancas, gritos de protesto. A juventude que nasceu no final ou depois da ditadura e nunca viveu um movimento como este sai às ruas, e juntos levam todas as outras gerações que tem experiência em usar a voz e a força do povo.