O sofrimento na atualidade se constitui em fonte de riquezas para os que exploram a dor. O sofredor é presa fácil dos que fazem negócio com a miséria humana. Incapaz de reagir, até mesmo de discernir o melhor para a dor que o assola, a pessoa em sofrimento não revela reação aos que usam da sua dor para explorá-la. Incapaz de pensar numa solução, se entrega ao primeiro que lhe oferece alivio. Paga qualquer preço para conseguir amenizar o sofrimento. Faz qualquer sacrifício, desde que o mal que o atormenta seja erradicado.
O doente em estado terminal na UTI, quando a medicina não tem mais o que fazer para trazê-lo à vida, se constitui em presa fácil à família desesperada. A equipe médica oferece determinado procedimento cirúrgico, caríssimo que aplicado, pode resolver o problema, mesmo sem garantia. A família se desfaz dos seus últimos recursos materiais para custear a cirurgia. A vida da pessoa amada não tem preço. Qualquer sacrifício é compensador, pensa a família. Dias depois só resta chorar a perda, com o consolo que ocorreu um quadro, não previsto, mas fizemos o que era possível fazer.
