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VOCAÇÃO DE ANJOS

Muitos ainda não estão em paz em relação à consagração de mulheres ao Ministério.

Têm toda a razão os que pensam, os fundamentos jurídicos são válidos enquanto não ferem os princípios do Novo Testamento. Agora mesmo, estamos diante do perigo de vermos uma prática se tornar legal, colocando as igrejas cristãs em grandes dificuldades. Tudo em nome da dignidade, igualdade e liberdade.

Por outro lado, as normas não específicas nas páginas do Novo Testamento devem ser consideradas à luz da consciência e não da proibição. Mesmo nos casos específicos, ainda temos exceções. Do contrário, teríamos que voltar ao uso do véu e ao completo silêncio da mulher na igreja. São duas tradições culturais que cumpriram seu papel no tempo. Por isso, não erramos por não praticá-las mais. Não usar o véu e ouvir as mulheres em público não mais escandaliza o público como foi na igreja nascente.

ANDAR NO ESPÍRITO

É preciso ter coragem para andar no Espírito porque, muitas vezes, o Espírito nos envia a lugares e situações em que não entraríamos por nós mesmos. Aconteceu com a irmã Josefa Ribeiro, nossa Zefinha, da Igreja Memorial de Realengo. Ela foi convidada para o aniversário de uma sobrinha, a Vanessa, jovem que um dia já frequentou uma igreja de Jesus, mas hoje está na Umbanda, já fez cabeça para ser filha de santo. A festa seria no próprio galpão do centro de Umbanda que Vanessa frequenta. A filha da Zefinha, Luciana, advertiu a mãe: “Mãe, você vai entrar naquele centro? Mãe, eles vão te matar lá dentro”. Zefinha orou ao Senhor, aprontou-se e no sábado, dia 12 de maio, rumou para Alcântara, em São Gonçalo, onde fica o centro.
Quando ela chegou, logo viu o que esperava por ela. Homens e mulheres estavam todos fumando charutos e cigarros, todos paramentados com roupas de Umbanda, cheios de colares. Pelos cantos vários alguidares com as comidas dos “santos” já estavam preparadas para serem oferecidas. A cachaça corria solta. Zefinha foi apresentada ao dono do terreiro, que tem como patrono ninguém menos do que o Zé Pilintra. O pai de santo disse para Zefinha: “Eu já sei que você é crente; a Vanessa me falou de você”. Ela aproveitou a deixa e pediu para fazer uma oração agradecendo a Deus pelo aniversário da sobrinha. Foi dada a permissão. Havia muita gente no centro, Zefinha não é uma pessoa de alta estatura, então a própria sobrinha colocou um banco para que ela pudesse subir para ser vista por todos. O terreiro estava todo enfeitado com bandeirolas, todas as imagens permaneciam inertes nos seus altares, no ar pairava uma intensa fumaça de charutos. Zefinha subiu no banco, abriu sua Bíblia e leu o salmo 91. Pronunciou uma breve alocução sobre o teor do salmo no mais absoluto silêncio e fez uma oração.
Quando terminou, ela percebeu que lá em um canto, duas mulheres e Vanessa estavam em prantos. Essas duas mulheres eram ex-membros de igrejas evangélicas e estavam impactadas com o que acabavam de ouvir. Zefinha se aproximou delas, inteirou-se do fato de que elas eram egressas de igrejas de Jesus e aconselhou: “Voltem para Jesus; aqui não é o lugar de vocês”. Uma das senhoras respondeu: “Se a gente sair daqui, os espíritos matam a gente”. Zefinha lhes garantiu com toda confiança: “Vocês ouviram o salmo que eu li: ‘Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua casa’; confiem em Deus, voltem para Deus e o Diabo não terá poder para lhes fazer mal algum; não fiquem ai chorando; decidam agora voltar para Cristo”.
Antes de Zefinha sair, outra senhora se aproximou dela e pediu: “Vou fazer uma festa nos meus sessenta anos e queria que você viesse para fazer uma oração”. Ela está pensando e orando para decidir se vai ou não, pois entende que de nada adiantará ir lá, ler a Bíblia, pregar e orar, se as pessoas não deixarem de servir aos seus orixás. É bem provável, porém, que ela atenda ao convite. Coragem não lhe falta, porque ela é uma mulher que anda no Espírito.
João Falcão Sobrinho
Parábolas Vivas - OJB

Marcha das mulheres livres

Hoje em dia as mulheres são taxadas de vadias por qualquer motivo. Jovens, meninas, mulheres de todas as idades recebem esse adjetivo até mesmo de outras mulheres, por causa de discussões, diferenças de opiniões, rivalidades, brigas com namorados ou maridos e, pasmem, até mesmo quando a mulher é estuprada, por mais incrível que pareça.
Foi por este último motivo que surgiu a Marcha das Vadias, acontecida no último final de semana de maio, em vários locais no Brasil, como parte de um movimento internacional. O nome veio em razão da palavra de um policial canadense a respeito de segurança em uma universidade na qual estavam acontecendo vários casos de estupro. Como medida de prevenção, orientou as mulheres a não se vestirem como vadias.
As palavras do policial se tornaram o mote para a marcha, um protesto contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro pediram isso devido as suas vestimentas. Para impactar a opinião pública, as participantes usam roupas provocantes como blusinhas transparentes, lingeries, saias, salto alto ou apenas sutiã e escrevem frases pelo corpo.
É lógico que a roupa da mulher, ou a falta dela, não justifica o estupro, mas isso não significa que concordamos que uma mulher possa vestir-se de maneira indiscreta, expondo o seu corpo indevidamente. Mas ainda que assim seja, nada justifica o estupro, ou o uso da palavra vadia para ofender uma mulher e, muito menos, como nome para uma Marcha. “Pra mim, o nome ideal seria ‘Marcha das Mulheres Livres’, mas não teria tanto impacto na mídia”, opina Tica Moreno, blogueira militante (www.tpmrevista.com.br).
As mulheres enfatizam um termo pelo qual são estigmatizadas, procurando dar a ele um significado positivo. “Eu acho muito difícil reapropriar o significado de um nome”, afirma Lola Aronovich, professora da Universidade Federal do Ceará, e cronista de cinema, também na revista TPM.
É lamentável que uma mulher cristã não possa participar de um ato de protesto, legítimo e que busca a justiça, por causa da maneira como ele acontece. Sentimo-nos constrangidas pelo nome e pela forma como as mulheres são expostas na marcha. Não é porque uma mulher cristã é escolarizada e militante que se justificam atitudes que depõem contra seu testemunho cristão, por mais que saibamos que devemos empreender todos os esforços para combater o estupro.
Muitos dos sofismas deste tempo trabalham sutilmente contra os nossos valores mais profundos e relativizam a integridade de uma mulher. Nossa maneira de lutar também passa pela ética cristã: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus” (II Cor. 10.4,5).
Zenilda Reggiani Cintra - Pastora e jornalista, Taguatinga, DF - OJB