FAST PRAYER

     Certa vez, em um congresso jovem, o dirigente chamou um irmão ao microfone para orar. Ele usou a seguinte expressão: “Vou pedir ao irmão Francisco que venha ao microfone e nos dirija em uma oração rapidinho”. Enquanto o irmão Francisco se deslocava, a secretária alertou o jovem presidente: “Orar rapidinho?”. O rapaz era esperto e logo se corrigiu: “É para vir rapidinho, não para orar rapidinho”. O Francisco tomou o microfone, mas não captou a correção e fez uma oração sumária, como se a digitasse pelo Twitter. Você sabe, o Twitter é uma comunicação instantânea pela internet na qual não se podem usar mais de 140 toques, inclusive espaços. Não é sem motivo que a palavra Twitter se traduz por “pio”, pio de passarinho.
     Muitas das nossas orações são apenas chilreios sem qualquer significado inteligente. A cultura ocidental está cada vez mais “Fast” e cada vez mais “twitter”. Hoje predomina a pressa, o “fast food” (comida rápida), “fast delivery” (entrega rápida) e estou acrescentando “fast prayer”, ou seja, oração rápida. Tudo tem que ser instantâneo. Adaptando-nos à cultura moderna, as orações públicas são cada vez mais “rapidinhas”, sem envolver as emoções, sem profundidade, geralmente apenas frases feitas, sem significado espiritual. Bem verdade que no passado não muito remoto, havia irmãos que exageravam e faziam compridas orações, nem por isso mais espirituais nem mais fervorosas.
     Havia um missionário conhecido por fazer demoradas orações. Certa vez, em uma convenção, o presidente me pediu para providenciar cópias de um parecer que seria apresentado em seguida e que convidou aquele obreiro para orar. Peguei o original da Comissão de Assessoria Parlamentar e fui à seção de xerox. Levei quatro minutos para providenciar as cópias. Quando voltei ao plenário, o missionário ainda estava orando e orou por mais uns três minutos. Uma oração em público pode demorar sete minutos, desde que seja uma prece ungida, objetiva, que penetre o coração dos que estão orando e dê a todos a consciência da presença de Deus. Não foi o caso, segundo podia ser percebido na reação dos convencionais.
     Quanto tempo duraram as orações de Moisés, de Davi, de Daniel, de Neemias, de Jesus? O tempo não conta quando o que conta é a unção espiritual, a real presença de Deus. Agora, aqui entre nós, as orações públicas em nossas igrejas parecem mais frases irrelevantes como as mensagens no Twitter, do que diálogos verdadeiros com o Pai Celestial. Deus pode agir em resposta a um grito da alma em duas ou três palavras, como já me ouviu em mais de uma ocasião. A oração ao lado de um enfermo na UTI deve ser breve. Breve, mas ungida pelo Espírito. As orações twittadas, rápidas e sem relevância, cada vez mais frequentes em nossos cultos não representam o teor da nossa fé, não expressam nossa percepção da presença de Deus. Precisamos reaprender a orar. Neste momento quando os batistas brasileiros estão sendo convocados a orar por um avivamento, é bom lembrar que a maneira como nos relacionamos com Deus em oração não depende da extensão, mas do fervor da nossa súplica.
     A oração do publicano em Lucas 18.13 conta apenas seis palavras, enquanto o fariseu fez um longo discurso. Deus justificou o publicano, mas o fariseu voltou para casa tão vazio como quando entrou no templo. Embora as palavras oração e discurso em português sejam sinônimos, a oração cristã não é apenas discurso que a pessoa faz a si mesma ou aos circunstantes, mas é um clamor que parte do fundo da alma em direção a Deus. A oração do cristão é sincera, verdadeira, humilde, vem do coração e não dos lábios. Todos os avivamentos da história da igreja cristã foram resultado das orações contritas e das súplicas fervorosas dos salvos. Quando os crentes começam a orar com fervor, espiritualidade e profunda consciência de Deus presente, o avivamento já começou.
João Falcão Sobrinho

Texto extraído do: O Jornal Batista de 29/04/2012 

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