No mês passado, cumprindo uma rotina em que a incompetência e a crueldade dos homens não conseguem superar os desafios da natureza, houve uma nova tragédia em Teresópolis.
Numa área de risco já demarcada, mapeada e explorada por homens corrompidos, houve um deslisamento de terra. A enxurrada de lama ceifou cinco vidas e destruiu uma casa humilde, arrastando uma mulher e seu filho de oito anos. Mãe e filho ficaram enterrados no barro. A mulher conseguiu sair do atoleiro e viu, bem ao seu lado, a mãozinha de um menino se mexendo, parecendo querer segurar-se em algo. Com grande dificuldade, pois seu corpo estava enterrado na lama, a mãe conseguiu colocar-se de pé e começou a puxar o menino pela mão. Apareceu um vizinho solidário, um herói que na enchente do ano passado perdeu sua casa.
Cavando com as mãos, ambos conseguiram tirar a lama do rosto, depois do corpo do menino e levá-lo para local seguro no exato momento em que outra avalanche despencava do morro como se a natureza em fúria quisesse apenas completar a sua obra de destruição.
Levaram o menino para um hospital. Lá, uma equipe de reportagem filmou o menino já fora de perigo e entrevistou a mulher. Suas palavras foram de uma grandeza chocante: “Perdi minha casa, meus móveis, todas as roupas, tudo, mas graças a Deus consegui salvar o meu filho. Podia perder o mundo, se o mundo fosse o meu barraco, mas não queria perder o meu filho”. Não o perdeu, aliás, por bem pouco, pois o menino já estava sendo sufocado pelo barro. Para aquela mãe humilde, seu filho todo coberto de barro, valia mais do que o mundo com suas belezas, opulência e riquezas.
Esse é o sentimento da mulher-mãe. Ela corre o risco de perder sua vida, mas que lhe importa isso se ela puder salvar o seu filho?
Neste momento do mundo em que muitos pais pouco se importam com o sofrimento e o risco que correm seus filhos, ainda prevalece o instinto materno que remove com as mãos o barro que está sepultando seu filho em vida e consegue trazê-lo para a superfície, consegue limpar seu rosto para que ele respire e tira-o do perigo. Aliás, cabe aqui o registro de um caso triste muito emblemático: Um homem, ao saber que sua filhinha recém-nascida tinha síndrome de Down, declarou à esposa que ia embora de casa e decretou que ela cuidasse da filha, que era dela. Nenhum irracional teria essa atitude. Esse homem não é feliz, não tem alegria de viver porque só se alegra com a vida quem se alegra com a vida do outro, a começar pela vida dos seus. Há exceções, claro. Há um pai que se desvela em cuidados para com a filha que, aos três anos, adquiriu poliomielite. Esse pai renunciou à vida a que tinha direito, para viver a vida da filha, para se dedicar a ela. Mas esses dignos exemplos rareiam. Em geral é a mulher que corre os riscos, que se supera em favor dos filhos.
A uma mulher que adotara uma menina e treze anos depois ficou grávida, perguntei: “Como é que a senhora vai dividir o seu amor entre as duas filhas, uma gerada no coração e outra no ventre?” A resposta daquela mãe foi uma lição de vida para mim: “Pastor, o amor não se divide, só se multiplica”. Essa é a consciência da mãe que pode ter dez filhos, mas a todos ama com igual desvelo, sabendo tratar a cada um deles como se aquele filho fosse o único para ser amado. Mas é à mãe que cabe a recompensa maior de ver seu filho vencer, nem que essa vitória seja no alto de uma cruz onde ela vê, com seu coração traspassado por uma espada, seu filho dar a vida pela salvação do mundo. Salve, agraciada do Senhor. Teu amor dignifica a mãe que ama seus filhos e revive o amor do próprio Deus que diz: “com amor eterno te amei, também com amorável benignidade te atrai” (Jer. 31.3).
Parábolas vivas - O Jornal BatistaJoão Falcão Sobrinho
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